domingo, 6 de abril de 2014

Flamejante Mundo Novo

  Cessou-se o momento
Brotou-se silencio
Nasceu a poesia.

Gerou-se o confronto
Colisão do encontro
Os raios do dia.

Abrem-se as portas
Nenhuma linha torta
Pagina vazia.

Preciosa vida nova
Fênix q se renova
Na luz q não se via.

Primoroso voo belo
O inesperado se revela
Tudo aquilo que queria.

Sem enxergar o q se vem
Gloria dada a Quem a tem
Tua vontade feita, Amem.

Por Marvim Mota
(Ao som de The Nationals - BloodBuzz Ohio)

terça-feira, 25 de março de 2014

Sobre Muitas Coisas

De absinto abastado, 
abatido.
Aturdido, 
Retorcido, 
Recolhido,
Refeito.

Renascido, 
Renovado, 
Ressurgido,
Ressuscitado.
Divinamente reorganizado,
Divina dor do agonizado,
Divina vida, vivificado.
Sangue de Cristo, Justificado,
Divina Graça sobre o pecado,
Divida paga, quitado o saldo.
Incompreensível, de Saulo a Paulo, 
O preço da vida, meu preço, ama-lo.

Por Marvim Mota
(Ao som de Scar Tissue - RHCP)

segunda-feira, 17 de março de 2014

Um Poema a Mim Mesmo


  
Dedico estes versos a mim
A tudo que eu vi
Ao que sobrevivi
Ao reflexo que encaro
Que cumprimenta-me a sorrir.

Dedico estes versos ao labor
Aos amigos e a dor,
As piadas e ao sabor
Das horas que rolamos vários dados com fervor.

Dedico esta rima ao saber,
Às cicatrizes do viver,
À cada dia que levanto
remodulando-me no ser.

Dedico esta estrofe ao Senhor,
Diante do pó que me formou,
Diante do amor que me doou,
Contemplando o nada que eu sou
Dedico esta vida ao Senhor.

Dedico este poema ao crescer,
à experiencia de envelhecer
Ao ser o que se deve ser
A alegria de poder dizer
Que ainda não É, mas está a SER.

Marvim Mota

terça-feira, 4 de março de 2014

Calendario



 E depois de tudo...
Esperando a chuva passar,
Esperando a hora chegar,
Esperando o dia raiar
Esperando o filho nascer
Esperando a voz me dizer
Esperando falar de você
Esperando ser.

E depois de tudo...
Esperando alguém me notar,
Esperando uma mão estancar,
Esperando um auxilio surgir,
Aguardando uma força emergir,
Só um fato, um milagre, um sorrir,
Só um dane-se, um virar-se e ir,
Um irar-se, quebrar-se, emergir,
Por você, por nós, por mim,
Um impor-se, um impasse,
Enfim.

E depois de tudo... Eu estou aqui.

Marvim Mota

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

DoR


Purificador
Purifica a dor
E pura fica a dor
Fonema indolor
Poesia sem labor
Verbete assola a dor
Traduz o tradutor:
"A dor é um tutor"
Ensina o Instrutor:
"A vida educa a dor
E a dor educa a gente"
Só assim a gente sente
Sozinho a gente mente
E sente... A dor.


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Melancolia




Odeio sentir saudade de coisas que ainda não vivi... Mas sinto.
E sinto muito por mim mesmo, por sentir tanto.
"Pobre de mim", diria eu, se não me soasse tão sarcástico a mim mesmo.
Em vez disso aprecio a melancolia como quem degusta uma melodia aconchegantemente triste.
Embriagando-me em doses irresponsáveis de musica e poesia,
Sorrio na face da desgraça enquanto inalo o aroma destilado pelos poros dos meus versos.
Entorpecido, caminho pelo teclado abraçado com a espera (fiel companheira), pedindo-lhe que 
me confidencie uma rima nova para o poema perfeito que não escreverei.
Discorremos de forma filosoficamente imbecil como chegamos até aqui,onde batizei Lugar Nenhum,
Lugar onde todos nos abraçamos enquanto o mundo desmorona por trás de olhos vendados e falsos sorrisos.

Desconsidere meu torpor niilista, é apenas a melodia ou a verdade oculta em nossa carne.
Surpreendo-me em como podemos sorrir em meio a essas notas descompassadas 
Em como se consegue ver onde nunca ouve, e assim agindo, agora ha.
Eu sei, tudo soa sem sentido, talvez não haja sentido algum... ou talvez tudo seja apenas uma questão de ponto de vista.
Você escreve a poesia ou a poesia lhe escreve?
Mistério eterno q jamais se desvendou... Assim como nosso futuro, belo e misterioso.
Incompromissível ao meu pobre ser, que limita-se a conter-se em sua abrupta inquietude.

Odeio sentir saudade de coisas que ainda não vivi... Mas sinto.


Por Marvim Mota

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Silencio que Sucede a Oração

 
    Era a quarta vez que eu olhava para o relógio na parede do quarto, não havia um motivo, talvez, inconscientemente estivesse esperando que a solução tivesse marcado um horário para surgir.
   Meus olhos baixam para a cama ao meu lado onde Ana está deitada, pálida como neve, com olhos fechados, suando muito, estava magra, como se tivessem sugado sua vida, e de fato, estava sendo sugada... Olhei para a escrivaninha à esquerda, havia um porta-retrato com uma foto de nós dois ainda recém casados, bom, de certa forma ainda somos, faz apenas um ano e dois meses desde a cerimonia. Mas o que me intriga é a sua imagem... A jovem loira com mechas avermelhadas, com seus olhos verdes cheios de vida, mostrando a língua para a foto, em nada parece com a pessoa que está morrendo na cama. Mais um olhar no relógio. Talvez eu só esteja tentando negar a situação. Não, não ha um talvez, é exatamente isso. Porque isso tinha que acontecer? Porque com ela? Porque comigo?
   Ao ado do porta-retrato ha uma caneta rosa, a cinco anos atras ela estava na orelha de Ana... Estávamos em um retiro de jovens da igreja, todos estavam se banhando no mar, mas ela estava sentada na areia, com a caneta rosa na orelha, lendo um livro. Da água, eu a observei, e fiquei intrigado com sua postura indiferente à baderna que os outros faziam. Eu me aproximei para falar com ela... "Cof!", ela está tossindo de novo, está morrendo. Olho novamente para o relógio, 20:40, notei que só agora olhei o horário.
   Vejo ela entrando na igreja no nosso casamento, está chorando, mas com um sorriso radiante, Olhando em meus olhos, vindo em minha direção... "Cof!", não, ela está na cama. Notei agora que ha uma Bíblia ao seu lado. Ana sempre foi uma cristã mais firme que eu... Continuo olhando a Bíblia, lembro de algumas pregações na igreja, lembro da passagem de Hebreus falando sobre a fé, lembro do medico dizendo que não havia mais nada a ser feito... Porque com ela?...20:43... Penso em Jesus, ele curou tantas pessoas aqui na terra, e ele está vivo não é? Disse que se pedíssemos com fé, em seu nome, receberíamos.
   Olho para o teto em um gesto impensado, olho para Ana, na cama... 20:44, a solução não havia marcado hora. Ajoelhei-me no piso duro do quarto, e lembro do dia em que nos mudamos pra cá... Posso ouvir nossos risos... Ponho a cabeça no chão, está frio. Ainda de olhos abertos, ouço e minha mente a voz de Ana cantando uma das poucas músicas que fez, essa era a que mais gostava, fala do silencio que precede a oração, "o momento em que nos preparamos para falar com o Soberano", dizia ela...Eu estava em silencio, e faria uma oração, não sabia como começar:
- Deus...
   Parei,  fiquei alguns segundos em silencio, ainda de olhos abertos, disse:
- Deus, eu sei que o Senhor está ouvindo, sei que está vendo...( eu não consigo continuar, as lagrimas escorrem em meu rosto)... Por favor, salve a Ana, Senhor. Eu sei que pode fazer isso!
   Choro descontroladamente, pedindo para que ela fosse curada. Com o tempo, as lagrimas cessam, eu me acalmo mas fico ajoelhado por alguns segundos, é o silencio que sucede a oração, não havia canções sobre isso.
   Olho o relógio, 22:02... Me preparo para levantar, noto que Ana não está mais gemendo, nem tossindo, uma pequena chama de esperança arde em mim. Levanto e a contemplo, está com seus olhos verdes em minha direção, sorrio para ela e me aproximo. Percebo então que seus olhos estão imoveis, que ela continua pálida, mas dessa vez, literalmente sem vida.
   Ao fim do velório o pastor se aproximou de mim:
- Sei que está sofrendo, mas não se ire contra o Senhor.
   Olhei para ele espantado com o que acabara de ouvir e lhe disse:
- Me irar?! Porque?! Deus me deu o privilegio de conhece-la, de ter a Ana como esposa, de ama-la e ser amado por ela... Porque ficaria irado? Meu arrependimento é não ter lhe agradecido antes.

Por Marvim Mota